15/01/2026
O autoconhecimento emocional é fundamental para todas as crianças, e especialmente para aquelas com autismo, que podem enfrentar desafios únicos ao expressar e compreender suas emoções.
As crianças autistas podem sentir suas emoções de forma intensa e, muitas vezes, não conseguem nomeá-las ou comunicar o que estão sentindo. O trabalho de ajudá-las a identificar e expressar suas emoções é essencial para o seu desenvolvimento emocional e social.
Compreendendo as Emoções no Autismo
O autismo afeta a forma como a criança processa, expressa e responde às emoções. Muitas crianças com TEA apresentam uma resposta emocional que pode parecer exagerada ou desconexa da situação, pois as sensações físicas, como aumento da frequência cardíaca, respiração acelerada ou tensão muscular, são intensamente vivenciadas.
Além disso, há uma dificuldade na identificação e expressão dessas emoções, o que pode levar a reações inesperadas, como explosões emocionais, ou ao isolamento social.
Uma das principais dificuldades para as crianças autistas é a interpretação das expressões faciais, que são fundamentais para o reconhecimento das emoções nos outros.
A criança pode não entender, por exemplo, que um sorriso indica felicidade ou que uma careta de dor expressa sofrimento. Isso não significa que a criança não sinta as emoções de forma genuína, mas que ela pode ter mais dificuldade em reconhecê-las, tanto em si quanto nos outros.
Estratégias para desenvolver o Autoconhecimento Emocional
O desenvolvimento do autoconhecimento emocional em crianças autistas exige uma abordagem prática, estruturada e sensível às suas necessidades sensoriais e cognitivas.
Existem diversas estratégias que podem ser adotadas por pais, professores e profissionais da saúde para ajudar as crianças a identificar, compreender e regular suas emoções.
Percepção corporal
Ajudar a criança a identificar as sensações físicas relacionadas às suas emoções é um primeiro passo importante. Isso pode ser feito por meio de brincadeiras que incentivem a atenção ao corpo, como o uso de fantoches ou brinquedos que representem emoções.
Nomear as emoções
Ensinar a criança a reconhecer e nomear o que sente é fundamental. Usar cartões com expressões faciais ou histórias visuais pode ser uma ótima forma de auxiliar nesse processo.
Oferecer modelos de expressão
As crianças aprendem observando. Modelar suas próprias emoções e como você lida com elas pode ser uma ferramenta poderosa para ensinar o comportamento esperado em diferentes situações.
Por que reconhecer emoções é essencial para a autorregulação no autismo?
Um ponto fundamental é que o autoconhecimento emocional não é um objetivo isolado, mas um passo essencial para o desenvolvimento da autorregulação emocional em crianças autistas.
A autorregulação envolve a capacidade de perceber estados internos, compreender o que está acontecendo e, gradualmente, acessar estratégias para lidar com essas experiências.
Para muitas crianças com TEA, essa sequência não acontece de forma automática. Antes de “se acalmar”, é preciso reconhecer o que se sente, entender que aquela sensação tem um nome e que ela pode variar de intensidade.
Pesquisas em psicologia do desenvolvimento e análise do comportamento indicam que crianças que conseguem identificar emoções, especialmente em si mesmas, têm mais recursos para:
- Comunicar desconfortos antes que eles se intensifiquem
- Solicitar ajuda de forma funcional
- Utilizar estratégias aprendidas (pausas, respiração, atividades sensoriais reguladoras)
Na prática, isso significa que intervenções focadas apenas em “controlar comportamentos” tendem a ser menos eficazes quando não incluem o ensino explícito de habilidades emocionais.
Ensinar uma criança a reconhecer que está frustrada, cansada ou sobrecarregada sensorialmente reduz a necessidade de respostas extremas, como crises intensas, pois amplia suas possibilidades de comunicação e escolha.
É importante reforçar que o objetivo não é exigir autocontrole precoce, mas construir, passo a passo, um repertório emocional que respeite o desenvolvimento, a comunicação e o perfil sensorial de cada criança.
Conclusão
Trabalhar o autoconhecimento emocional com crianças autistas é um processo gradual, que exige compreensão, paciência e consistência. Ao usar estratégias específicas e adequadas às necessidades sensoriais e cognitivas da criança, é possível ajudá-la a reconhecer e expressar suas emoções de maneira mais saudável, promovendo o bem-estar emocional e social.
Se você quer se aprofundar ainda mais nesse tema e aprender mais sobre como as expressões faciais e as emoções se manifestam no autismo, confira o conteúdo completo no blog da Genial Care.


