19.jun.2026
O mês de junho traz consigo uma das festividades mais ricas e queridas da nossa cultura: as festas juninas. É tempo de fogueira, comidas típicas, quadrilhas e muita música. No entanto, para as pessoas neurodivergentes, principalmente autistas, e suas famílias, a euforia do São João pode vir acompanhada de uma dose de ansiedade. O som alto das rojões, bombinhas e dos alto-falantes, a mistura de cheiros intensos, as roupas cheias de adereços pinicantes e a imprevisibilidade das multidões formam um cenário propício para a sobrecarga sensorial e, consequentemente, para as crises (meltdowns ou shutdowns). Mas a boa notícia é que, com planejamento e acolhimento, é totalmente possível curtir os festejos de forma segura e divertida.
O poder da previsibilidade e do preparo sensorial
Assim como em outras rotinas, o segredo para evitar crises começa antes mesmo de sair de casa. Conversar com a pessoa autista sobre o que esperar da festa, usando histórias sociais ou fotos do local, ajuda a diminuir a ansiedade do desconhecido. No vestuário, a dica de ouro é o conforto: se o traje caipira tiver tecidos rígidos, etiquetas ou rendas que incomodam, vale adaptar a roupa ou customizar uma peça que a pessoa já use e adore. Além disso, os abafadores de ruído são itens indispensáveis para neutralizar o som dos fogos e da música alta, funcionando como uma barreira protetora que garante a permanência no evento com muito mais tranquilidade.
Estratégias de manejo durante os festejos
Na hora da festa, uma excelente estratégia é mapear o local logo na chegada e identificar um “ponto de fuga”, um espaço mais reservado, silencioso e com menos circulação de pessoas, para onde vocês possam ir caso os sinais de saturação comecem a aparecer. Combinar um tempo determinado de permanência ou permitir que a pessoa se afaste das atividades coletivas (como a quadrilha) para focar em algo que traga conforto, como o carrinho de pipoca ou um brinquedo de autorregulação (stim toy), evita que o estresse atinja o limite. Se a crise acontecer, mantenha a calma, reduza os estímulos ao redor e ofereça suporte sem julgamentos.
Por festas mais inclusivas e acolhedoras
Celebrar a cultura popular não deve significar a exclusão de mentes neurodivergentes. Muitas escolas, clubes e comunidades já estão se conscientizando e promovendo as chamadas “festas juninas inclusivas”, que contam com horários de som reduzido,sem rojões nem bombinhas, barracas de jogos com regras adaptadas e espaços de descompressão. Apoiar essas iniciativas é um passo fundamental para a nossa sociedade.


