02.abr.2018
O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) atinge cerca de uma a cada 54 crianças, de acordo com dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos. No entanto, o avanço das tecnologias na área da saúde e da medicina personalizada vem mudando este cenário. Recentes estudos epidemiológicos têm demonstrado que os fatores genéticos são os mais importantes na determinação das causas e origens do TEA. Embora fatores ambientais, como problemas ainda na gravidez (uso de drogas, bebês prematuros, infecções virais, entre outros), também estejam associados ao risco para o desenvolvimento do TEA, hoje já se sabe que o risco é majoritariamente genético.
Apesar desses avanços, ainda é um desafio para a ciência definir genes e variantes genéticas de relevância clínica associadas ao TEA. Isso porque, assim como outras desordens neurológicas e psiquiátricas, o autismo não é fruto de alterações em um único gene, pelo contrário, envolve distúrbios moleculares complexos em múltiplos genes. Por outro lado, a evolução do conhecimento genético permitiu que muitos genes envolvidos no TEA fossem identificados. Atualmente (mar/2018), de acordo com a Simons Foundation Autism Research Initiative (SFARI), temos 722 genes descritos, mas muitos ainda são desconhecidos.
Como o tema tem evoluído nos últimos anos e quais as recomendações ?
O primeiro teste recomendado pela Academia Americana de Genética Médica e Genômica no estudo de crianças com suspeita de síndromes genéticas, anomalias congênitas, atraso de desenvolvimento e linguagem e Transtorno do Espectro do Autismo é o CGH-Array ou hibridização genômica comparativa baseada em microarranjos.
Exames como o CGH-Array, que é uma metodologia de citogenética molecular capaz de identificar alterações cromossômicas desbalanceadas (duplicações, deleções e/ou microdeleções) que não podem ser vistas através do exame de cariótipo convencional, esclarecem e direcionam em torno de 20% das suspeitas de síndromes e estão no rol da ANS (Agência Nacional de Saúde).
Já o sequenciamento do genoma completo é o método que dá pistas para um tratamento mais adequado de acordo com as mutações genéticas de cada indivíduo.
Recentemente, pesquisadores do Sick Children Hospital e da Universidade de Toronto apresentaram um estudo bastante otimista sobre o sequenciamento completo do genoma no Canadá e sua contribuição para os cuidados de saúde convencionais no futuro. Esse estudo faz parte do Projeto Genoma Pessoal, que começou em 2005, na Escola de Medicina de Harvard, onde os pesquisadores analisaram o sequenciamento completo do genoma de 56 participantes. Em troca de sua contribuição para a ciência, eles receberam informações clínicas relevantes de seus genomas e aconselhamento genético para contextualização dos resultados, integrando os dados obtidos nos sequenciamentos às informações de saúde de cada participante (inclusive seus históricos pessoal e familiar). Após a realização do estudo, foi possível observar que 25% dos pacientes tinham informações genômicas que indicavam potenciais riscos para doenças futuras e variantes genéticas importantes para as próximas gerações. Além disso, o estudo também foi direcionado para informações sobre problemas na eficácia de medicamentos e risco de efeitos adversos, revelando que em 23% dos participantes foram identificadas alterações genéticas associadas a risco severo de efeitos colaterais (muitos deles envolvendo risco de vida).
Uma iniciativa inovadora em escala mundial
TISMOO é uma empresa de biotecnologia de relevância global, comprometida em melhorar a qualidade de vida de pacientes e famílias afetadas por transtornos neurológicos como TEA e outros transtornos neurológicos de origem genética relacionados ao TEA. No Brasil, a TISMOO é a única empresa a oferecer essa tecnologia para identificação das alterações genéticas especificamente para o Transtorno do Espectro do Autismo e outros transtornos neurológicos de origem genética que apresentam comportamento do autismo. Oferecemos os testes genéticos utilizando tecnologia genômica de última geração, respeitando a estreita correlação entre os dados clínicos e enriquecendo nossa análise com uma plataforma especializada associada a uma curadoria feita por especialistas em autismo. Tudo isso sempre valorizando e disponibilizando a médicos, pacientes e familiares um aconselhamento pré-teste e pós-teste.
Acreditamos que o conhecimento genético é uma ferramenta importante para auxílio no diagnóstico e, em alguns casos, na conduta terapêutica, no aconselhamento genético reprodutivo, na estratificação de pacientes e na medicina personalizada com testes clínicos mais precisos de acordo com cada perfil genético.
Desta forma, com o avanço da medicina personalizada, apostamos na hipótese de que o mapeamento genético pode vir a ser uma das ferramentas mais importantes para ampliar os estudos, diagnóstico e tratamento do autismo em um futuro próximo, impactando positivamente nos indivíduos que sofrem de distúrbios neurológicos, bem como suas famílias.
Adicionalmente aos estudos já mencionados anteriormente, um estudo recente conduzido por pesquisadores do New York Genome Center, usando a metodologia de sequenciamento do genoma completo (WGS, sigla para o termo em inglês Whole Genome Sequencing), analisou o genoma de 2064 indivíduos de 516 famílias, nas quais um membro era autista, porém, sem histórico anterior de autismo na família, e revelou que variações genéticas não herdadas conhecidas como “de novo” podem contribuir para o autismo (Turner et al, 2017).
E outro estudo feito com 262 trios (indivíduos com autismo junto com seus pais) também demonstrou a importância dessas variantes “de novo” na arquitetura genética complexa do TEA (Takata et al., 2018). Apesar do número de indivíduos analisados ainda ser pequeno, os estudos epidemiológicos têm cada dia mais demonstrado que fatores genéticos são os mais importantes na etiologia do TEA. Entretanto, a genética do autismo é considerada extremamente heterogênea, uma vez que esses indivíduos possuem variantes comuns e raras (Gaugler et al., 2014). Dessa forma, podemos dizer que a análise genética dos pais também poderá ser realizada e permitirá verificar se as alterações que eventualmente poderão ser encontradas são herdadas ou não, nos permitindo entender o TEA como uma condição multigênica. As alterações genéticas não herdadas do tipo de novo são importantes para o desenvolvimento do transtorno do espectro do autismo e também em outras condições de saúde.
[Atualizado em abril/2018 com novos números do CDC]
[Atualizado em abril/2020 com novos números do CDC]
[Atualizado em agosto/2021 com novas informações do Tismoo24/7]


