em 29 de agosto de 2025 por Tismoo.me,
Ansiedade no autismo / Tismoo

Ansiedade no autismo: entendendo e acolhendo

A ansiedade é uma emoção comum. Todos nós sentimos preocupação ou tensão em algum momento. Mas, para muitas pessoas autistas, essa sensação pode ser mais intensa, frequente e difícil de controlar.

Segundo o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), a ansiedade é uma antecipação de algo ruim que pode acontecer, mesmo que essa ameaça não seja real. Ela se torna um transtorno quando é muito forte, dura por muito tempo e atrapalha a vida da pessoa, seja nos estudos, no trabalho ou nas relações sociais.

Como a ansiedade se manifesta

Os sinais de ansiedade podem variar, mas alguns dos mais comuns incluem:

  • Preocupações constantes com várias situações (escola, saúde, rotina)
  • Dificuldade em “desligar” os pensamentos
  • Sensação de estar sempre alerta ou nervoso
  • Cansaço frequente
  • Dificuldade de concentração ou “apagões” mentais
  • Irritabilidade
  • Tensão muscular
  • Problemas para dormir ou sono agitado

Ansiedade e autismo: por que é tão comum?

A ansiedade é uma das comorbidades mais frequentes em pessoas autistas, especialmente em crianças e adolescentes. Estudos mostram que entre 16% e 40% dos jovens com autismo apresentam algum tipo de transtorno de ansiedade.

Ela costuma ser mais comum em pessoas autistas que têm boa capacidade verbal e maior consciência do ambiente, o que pode tornar os desafios sociais e emocionais ainda mais intensos.

Alguns fatores que contribuem para isso:

  • Sobrecarga sensorial: sons altos, luzes fortes ou ambientes caóticos podem gerar muito desconforto.
  • Mudanças na rotina: mesmo pequenas alterações podem causar insegurança.
  • Exigências sociais: lidar com regras sociais, resolver problemas inesperados ou se expressar em público pode ser muito difícil.
  • Fases da vida: na pré-adolescência e adolescência, as cobranças sociais aumentam, e isso pode intensificar os sintomas ansiosos.

Estratégias que ajudam a lidar com a ansiedade

Existem formas práticas e acolhedoras de ajudar uma pessoa autista a lidar com a ansiedade. Aqui vão algumas sugestões:

  • Rotina previsível: usar agendas visuais ou quadros com horários ajuda a dar segurança. Se algo for mudar, avise com antecedência.
  • Ambiente sensorial adaptado: crie um espaço tranquilo em casa com luz suave, fones de ouvido, objetos táteis (como massinhas ou fidget toys).
  • Técnicas de autorregulação: respiração profunda, alongamentos, meditação guiada ou simplesmente ficar em silêncio por alguns minutos.
  • Atividades de interesse especial: desenhar, ouvir música, colecionar objetos ou jogar, tudo que traz prazer e conforto.
  • Cuidados com o sono: manter horários regulares e evitar estímulos fortes antes de dormir.
  • Apoio profissional: psicólogos, terapeutas ocupacionais e psiquiatras podem ajudar com estratégias específicas e, se necessário, medicação.

A ansiedade no autismo não é sinal de fraqueza, é uma resposta natural a um mundo que muitas vezes parece imprevisível e intenso. Com acolhimento, compreensão e estratégias adequadas, é possível viver com mais leveza e segurança.

Se você é autista ou cuida de alguém que é, lembre-se: buscar ajuda é um ato de coragem. E você não está sozinho nessa jornada.